sábado, 16 de setembro de 2017

** " VIOLA CHINESA"

"O homem humilde tem tudo a ganhar
e o orgulhoso tudo a perder,
porque a modéstia encontra sempre a generosidade,
e o orgulho a inveja."
Antoine de Rivarol


"VIOLA CHINESA"

Vai adormecendo a parlenda 
Sem que amadornado eu atenda 
A lengalenga fastidiosa.
Sem que o meu coração se prenda,

Enquanto, nasal, minuciosa, 
Ao longo da viola morosa, 
Vai adormecendo a parlenda.
Mas que cicatriz melindrosa 

Há nele, que essa viola ofenda 
E faz que as asitas distenda 
Numa agitação dolorosa?
Ao longo da viola, morosa...
Ao longo da viola morosa  
Camilo Pessanha


** "Imagens que Passais pela Retina"



"Imagens que Passais pela Retina"

Imagens que passais pela retina 
Dos meus olhos, porque não vos fixais? 
Que passais como a água cristalina 
Por uma fonte para nunca mais!... 
Ou para o lago escuro onde termina 
Vosso curso, silente de juncais, 
E o vago medo angustioso domina, 
_ Porque ides sem mim, não me levais? 
Sem vós o que são os meus olhos abertos? 
_ O espelho inútil, meus olhos pagãos! 
Aridez de sucessivos desertos... 
Fica sequer, sombra das minhas mãos, 
Flexão casual de meus dedos incertos, 
_ Estranha sombra em movimentos vãos. 

Camilo Pessanha


** "ÁGUA MORRENTE"



"ÁGUA MORRENTE"
          
Il pleure dans mon coeur 
Comme il pleut sur la ville.
        
Verlaine
      
Meus olhos apagados, 
Vede a água cair. 
Das beiras dos telhados, 
Cair, sempre cair.

Das beiras dos telhados, 
Cair, quase morrer... 
Meus olhos apagados, 
E cansados de ver.

Meus olhos, afogai-vos 
Na vã tristeza ambiente. 
Caí e derramai-vos 
Como a água morrente
      
Camilo Pessanha


** "Passou o outono já, já torna o frio"

"O melhor conselho dá-o a experiência;
pena que chegue sempre tarde demais."
Abraham Nicolas Amelot de la Houssaye


"Passou o outono já, já torna o frio"

Passou o outono já, já torna o frio...

- Outono de seu riso magoado.
Álgido inverno! Oblíquo o sol, gelado...
- O sol, e as águas límpidas do rio.

Águas claras do rio! Águas do rio,
Fugindo sob o meu olhar cansado,
Para onde me levais meu vão cuidado?
Aonde vais, meu coração vazio?

Ficai, cabelos dela, flutuando,
E, debaixo das águas fugidias,
Os seus olhos abertos e cismando...

Onde ides a correr, melancolias?
- E, refratadas, longamente ondeando,
As suas mãos translúcidas e frias...

Camilo Pessanha


** "Sem título"

 "As doutrinas da Bíblia não são isoladas,
 mas inter-relacionadas; 
portanto, 
o ponto de vista acerca de uma doutrina 
necessariamente afetará o ponto de vista aceito a respeito de outra."
 A. A. Hodge

** "A lua no cinema"

** "Não discuto"

*" "Sintonia para pressa e preságio"


** "Amar você é coisa de minutos…"

 "Evitemos ficar discutindo sobre a Palavra de Deus; 
vamos obedecê-la." 
Oswald Chambers



"Amar você é coisa de minutos…"

* "Mais Corujas"



"Mais Corujas"





** "AO POENTE"

"Sempre que possível
interprete a Bíblia literalmente."


"AO POENTE"

Ficávamos sonhando horas inteiras,
com os olhos cheios de visões piedosas:
éramos duas virginais palmeiras,
abrindo ao céu as palmas silenciosas.

As nossas almas, brancas, forasteiras,
no éter sublime alavam-se radiosas,
ao redor de nós dois, quantas roseiras...
O áureo poente coroava-nos de rosas.

Era um arpejo de harpa todo o espaço;
mirava-a longamente, traço a traço,
no seu fulgor de arcanjo proibido.

Surgia a lua, além, toda de cera ...
Ai como suave então me parecera
a voz do amor que eu nunca tinha ouvido 

Alphonsus de Guimaraens


** "Branca de Neve em E.V.A."



"Branca de Neve em E.V.A."






 

* "Molduras para a Mamãe"


"Molduras para a Mamãe"




** "Epígrafe"



"Epígrafe"

Murmúrio de água na clepsidra gotejante,
Lentas gotas de som no relógio da torre,
Fio de areia na ampulheta vigilante,
Leve sombra azulando a pedra do quadrante,
Assim se escoa a hora, assim se vive e morre...

Homem, que fazes tu? Para quê tanta lida,
Tão doidas ambições, tanto ódio e tanta ameaça?
Procuremos somente a beleza, que a vida
É um punhado infantil de areia ressequida,
Um som  de água ou de bronze e uma sombra que passa...


EUGÉNIO DE CASTRO


* "Caixinhas para montar"

"A arte existe porque a vida não basta."
Ferreira Gullar


"Caixinhas para montar"






** "Ismália"


"Ismália"

Quando Ismália enlouqueceu,
Pôs-se na torre a sonhar...
Viu uma lua no céu,
Viu outra lua no mar.

No sonho em que se perdeu,
Banhou-se toda em luar...
Queria subir ao céu,
Queria descer ao mar...

E, no desvario seu,
Na torre pôs-se a cantar...
Estava perto do céu,
Estava longe do mar...

E como um anjo pendeu
As asas para voar...
Queria a lua do céu,
Queria a lua do mar...

As asas que Deus lhe deu
Ruflaram de par em par...
Sua alma subiu ao céu,
Seu corpo desceu ao mar...
Alphonsus de Guimaraens


* "Utilidade Total!


"Utilidade Total"