sábado, 16 de setembro de 2017
** "Vida"
Oh! fala-me de ti! eu quero ouvir-te
Murmurar teu amor...
E nos teus lábios perfumar do peito
Minha pálida flor.
De tua carta nas queridas folhas
Eu sinto-me viver...
E as páginas do amor sobre meu peito
E, quando, à noite, delirante durmo,
Deito-as no peito meu...
Nos delíquios de amor, ó minha amante,
Eu sonho o seio teu...
A alma que as inspirou, que lhes deu vida
E o fogo da paixão...
E derramou as notas doloridas
Do virgem coração!
Eu quero-as no meu peito, como sonho
Teu seio de donzela,
Para sonhar contigo o céu mais puro
E a esperança mais bela!
- II
A nós a vida em flor, a doce vida
Recendente de amor,
Cheia de sonhos, d'esperança e beijos
E pálido langor...
A tua alma infantil junto da minha
No fervor do desejo,
Nossos lábios ardentes descorando
Comprimidos num beijo...
E as noites belas de luar e a febre
Da vida juvenil...
E este amor que sonhei, que só me alenta
No teu colo infantil!
Vem comigo ao luar: amemos juntos
Neste vale tranqüilo...
De abertas flores e caídas folhas...
No perfumado asilo.
Aqui somente a rola da floresta
Das sestas ao calor
O tremer sentirá dos longos beijos...
E verá teu palor.
À noite encostarei a minha fronte
No virgem colo teu;
Terei por leito o vale dos amores,
Por tenda o azul do céu!
E terei tua imagem mais formosa
Nas vigílias do val:
— Será da vida meu suave aroma
Teu lírio virginal.
- IV
Que importa que o anátema do mundo
Se eleve contra nós,
Se é bela a vida num amor imenso
Na solidão — a sós?
Se nós teremos o cair da tarde
E o frescor da manhã:
E tu és minha mãe e meus amores
E minh'alma de irmã?
Se teremos a sombra onde se esfolham
As flores do retiro...
E a vida além de ti — a vida inglória -
Não me vale um suspiro?
** "PORQUE MENTIAS?"
"PORQUE MENTIAS?"
Por que mentias leviana e bela?
Se minha face pálida sentias
Queimada pela febre, e se minha vida
Tu vias desmaiar, por que mentias?
Acordei da ilusão, a sós morrendo
Sinto na mocidade as agonias.
Por tua causa desespero e morro...
Leviana sem dó, por que mentias?
Sabe Deus se te amei! sabem as noites
Essa dor que alentei, que tu nutrias!
Sabe esse pobre coração que treme
Que a esperança perdeu por que mentias!
Vê minha palidez - a febre lenta
Esse fogo das pálpebras sombrias...
Pousa a mão no meu peito! Eu morro! Eu morro!
Leviana sem dó, por que mentias?
Por que mentias leviana e bela?
Se minha face pálida sentias
Queimada pela febre, e se minha vida
Tu vias desmaiar, por que mentias?
Acordei da ilusão, a sós morrendo
Sinto na mocidade as agonias.
Por tua causa desespero e morro...
Leviana sem dó, por que mentias?
Sabe Deus se te amei! sabem as noites
Essa dor que alentei, que tu nutrias!
Sabe esse pobre coração que treme
Que a esperança perdeu por que mentias!
Vê minha palidez - a febre lenta
Esse fogo das pálpebras sombrias...
Pousa a mão no meu peito! Eu morro! Eu morro!
Leviana sem dó, por que mentias?
Álvares de Azevedo
** "O GONDOLEIRO DO AMOR"

"O GONDOLEIRO DO AMOR"
Teus olhos são negros, negros,
Como as noites sem luar...
São ardentes, são profundos,
Como o negrume do mar;
Sobre o barco dos amores,
Da vida boiando à flor,
Douram teus olhos a fronte
do Gondoleiro do amor.
Tua voz é a cavatina
Dos palácios de Sorrento,
Quando a praia beija a vaga,
Quando a vaga beija o vento;
E como em noites de Itália,
Ama um canto o pescador,
Bebe a harmonia em teus cantos
O Gondoleiro do amor.
Teu sorriso é uma aurora,
Que o horizonte enrubesceu,
-Rosa aberta com o biquinho
Das aves rubras do céu.
Nas tempestades da vida
Das rajadas no furor,
Foi-se a noite, tem auroras
O Gondoleiro do amor.
Teu seio é vaga dourada
Ao tíbio clarão da lua,
Que, ao murmúrio das volúpias,
Arqueja, palpita nua;
Como é doce, em pensamento,
Do teu colo no languor
Vogar, naufragar, perder-se
O Gondoleiro do amor!?...
Teu amor na treva é - um astro,
No silêncio uma canção,
É brisa - nas calmarias,
É abrigo - no tufão;
Por isso eu te amo querida,
Quer no prazer, quer na dor...
Rosa! Canto! Sombra! Estrela!
Do Gondoleiro do amor.
** "ONDE ESTÁS?"

É meia-noite... e rugindo Passa triste a ventania, Como um verbo de desgraça, Como um grito de agonia. E eu digo ao vento, que passa Por meus cabelos fugaz: "Vento frio do deserto, Onde ela está? Longe ou perto?" Mas, como um hálito incerto, Responde-me o eco ao longe: "Oh! minh'amante, onde estás?. . . Vem! É tarde! Por que tardas? São horas de brando sono, Vem reclinar-te em meu peito Com teu lânguido abandono! ... 'Stá vazio nosso leito... 'Stá vazio o mundo inteiro; E tu não queres qu'eu fique Solitário nesta vida... Mas por que tardas, querida?... Já tenho esperado assaz... Vem depressa, que eu deliro Oh! minh'amante, onde estás? ... Estrela — na tempestade, Rosa — nos ermos da vida; lris — do náufrago errante, Ilusão — d'alma descrida! Tu foste, mulher formosa! Tu foste, ó filha do céu! ... ... E hoje que o meu passado Para sempre morto jaz... Vendo finda a minha sorte, Pergunto aos ventos do Norte... "Oh! minh'amante, onde estás?..."
Castro Alves
* Bolo Integral de Banana com Maçã!
"Uso dado ao que é desprezado."
Roy Lichtenstein
Roy Lichtenstein

"Bolo Integral de Banana com Maçã!"

Ingredientes
1 copo americano (requeijão) de aveia em flocos
1 copo americano (requeijão) de aveia em flocos finos
1 copo americano (requeijão) de farinha de trigo integral
1/2 copo americano (requeijão) de azeite de oliva o
u óleo de sua preferência
– use manteiga derretida, fica melhor
u óleo de sua preferência
– use manteiga derretida, fica melhor
3 ovos
100 ml de leite
4 bananas caturras ou nanicas
2 maçãs grandes com a casca
2 colher de sobremesa de fermento químico
1 colher de chá de canela em pó
Modo de Preparo:
Misture a aveia e a farinha, depois adicione os ovos, o azeite (ou óleo/manteiga) e o leite.
Amasse duas bananas e acrescente a massa.
Pique as outras duas bananas, corte as maçãs em cubinhos pequenos e adicione na massa.
Por último, coloque o fermento e misture bem.
Leve ao forno em temperatura média – mais ou menos 250 graus, para assar por aproximadamente 50 minutos. Ou faça o teste do palito, enfie no bolo até o final da fôrma, se sair limpo é porque está assado.
Sugestão: pode ser adicionado castanhas picadas, nozes, uvas passas, ameixas secas, canela, gengibre ou outra especiaria de sua preferência na massa ou polvilhado por cima do bolo.
Ps.: quem quiser um bolo integral doce, use meio copo americano (requeijão) de açúcar mascavo ou orgânico.
de http://mangacompimenta.com
** "Notícias de Espanha"

"Notícias de Espanha"
Aos navios que regressam
marcados de negra viagem,
aos homens que neles voltam
com cicatrizes no corpo
ou de corpo mutilado,
marcados de negra viagem,
aos homens que neles voltam
com cicatrizes no corpo
ou de corpo mutilado,
peço notícias de Espanha.
Às caixas de ferro e vidro,
às ricas mercadorias,
ao cheiro de mofo e peixe,
às pranchas sempre varridas
de uma água sempre irritada,
às ricas mercadorias,
ao cheiro de mofo e peixe,
às pranchas sempre varridas
de uma água sempre irritada,
peço notícias de Espanha.
Às gaivotas que deixaram
pelo ar um risco de gula,
ao sal e ao rumor das conchas,
à espuma fervendo fria,
aos mil objetos do mar,
pelo ar um risco de gula,
ao sal e ao rumor das conchas,
à espuma fervendo fria,
aos mil objetos do mar,
peço notícias de Espanha.
Ninguém as dá. O silêncio
sobe mil braças e fecha-se
entre as substâncias mais duras.
Hirto silêncio de muro,
de pano abafando boca,
sobe mil braças e fecha-se
entre as substâncias mais duras.
Hirto silêncio de muro,
de pano abafando boca,
de pedra esmagando ramos,
é seco e sujo silêncio
em que se escuta vazar
como no fundo da mina
um caldo grosso e vermelho.
é seco e sujo silêncio
em que se escuta vazar
como no fundo da mina
um caldo grosso e vermelho.
Não há notícias de Espanha.
Ah, se eu tivesse navio!
Ah, se eu soubesse voar!
Mas tenho apenas meu canto,
e que vale um canto? O poeta,
imóvel dentro do verso,
Ah, se eu soubesse voar!
Mas tenho apenas meu canto,
e que vale um canto? O poeta,
imóvel dentro do verso,
cansado de vã pergunta,
farto de contemplação,
quisera fazer do poema
não uma flor: uma bomba
e com essa bomba romper
farto de contemplação,
quisera fazer do poema
não uma flor: uma bomba
e com essa bomba romper
o muro que envolve Espanha.
Carlos Drummond de Andrade


** "Cookie de Banana e Aveia"
"Cookie de Banana e Aveia"

Ingredientes
- 2 bananas grandes
- 1 xícara de aveia em flocos
Modo de preparo
- Misture os dois ingredientes até formar uma massa
- – como bananas podem ter diferentes tamanhos,
- talvez você tenha que acrescentar mais uma,
- ou um pouco mais de aveia.
- A ideia é não ficar nem mole demais,
- nem seca demais.
- Assar no forno a 180º graus por 15 minutos,
- em uma assadeira untada.
- Experimente untar com Óleo de coco.
- Não se esqueça dessa parte,
- ou você vai esfregar sua forma pra sempre!
Você também pode adicionar o que soa gostoso para você!
Ou nada.
Mas aqui vão algumas sugestões:
– gotas ou lascas de chocolate;
– pedacinhos de nozes, amêndoas, amendoim;
– canela em pó;
– frutas secas
** "Via Láctea" Soneto XIII

"Via Láctea"
Soneto XIII
"Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!" E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...
E conversamos toda a noite, enquanto
A via-láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.
Direis agora: "Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?"
E eu vos direi: "Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas".
Olavo Bilac
** "VERDES E VOZES"
"VERDES E VOZES"
Escutem as vozes
no meio dos ramos
sabiás, tico-ticos,
pardais, gaturanos...
Escutem dos rios
os risos chegando,
das águas correndo,
das pedras cantando!
Escutem os grilos
crilando seresta
nos vãos das janelas
das horas em festa!
Escutem! Escutem!
Com pressa e vagar!
Há monstros humanos
fazendo-os calar!
E se eles calarem
num frio de repente,
quem vai pintar sonhos
nos sonhos da gente?!!
Maria Dinorah
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